Novas reformas para a habitação em Portugal: o que vai mudar
O Governo aprovou uma série de medidas na Lei da Habitação com o objetivo de reestruturar o mercado de arrendamento e estimular a oferta habitacional. A seguir, veja os pontos mais relevantes dessas alterações — e o que elas podem significar para inquilinos e senhorios.
1. Dedução à coleta para inquilinos
A partir de 2026, será possível deduzir até €900 no IRS pelos encargos com rendas de habitação a preços moderados. Em 2027, esse limite sobe para €1.000.
Esse aumento visa aliviar a carga tributária de quem aluga, contanto que o contrato se enquadre no novo regime de rendas moderadas.
2. Redução de IRS para senhorios
Para contratos que envolvam habitações com renda até €2.300 — enquadradas como “moderadas” — a taxa de IRS sobre esses rendimentos será reduzida de 25% para 10%.
Isso representa um incentivo fiscal para que os proprietários arrendem seus imóveis dentro desse novo patamar.
3. Isenção do adicional de IMI
Os imóveis que forem arrendados por valores até €2.300 terão isenção do adicional de IMI até ao ano de 2029.
Ou seja: mesmo que normalmente um imóvel fosse sujeito a esse encargo suplementar, no novo regime ele ficará protegido desse tipo de imposto extra.
4. IMT mais alto para compradores não residentes (exceto emigrantes)
O Governo pretende aumentar o IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis) para quem compra imóveis em Portugal sendo não residente — com exceção dos emigrantes portugueses.
Essa medida visa desincentivar a aquisição especulativa por parte de investidores estrangeiros que não têm laços com o país.
5. IVA a 6 % na construção e no arrendamento moderado
Para construções habitacionais cujo valor de venda não exceda cerca de €648 mil, será aplicada a taxa reduzida de IVA de 6 %.
Da mesma forma, rendas até o limite de €2.300 poderão também beneficiar dessa taxa reduzida de IVA.
A meta é estimular tanto a edificação quanto o arrendamento em valores controlados, sobretudo nas áreas de maior pressão (Lisboa, Porto).
6. Licenciamento e burocracia: menos controle prévio
Para acelerar empreendimentos habitacionais, o governo vai reduzir exigências de controle prévio em processos de licenciamento e execução de projetos.
Essa simplificação pode contribuir para que novos empreendimentos sejam aprovados e construídos mais rapidamente.
7. Isenção de IRS sobre mais-valias se reinvestidas em arrendamento moderado
Se um proprietário vender um imóvel com lucro e reinvestir esse valor em habitações para arrendamento dentro do regime de rendas moderadas, a mais-valia ficará isenta de IRS.
Até agora, essa isenção era válida apenas quando a compra era para habitação própria permanente.
8. Apoio habitacional para trabalhadores da construção
Planeja-se garantir alojamento temporário em estaleiros para os profissionais da construção civil, como parte de um esforço nacional para assegurar condições dignas a esses trabalhadores.
9. Garantia pública para jovens que querem comprar casa
O Estado vai reforçar a garantia pública destinada a jovens até 35 anos que pretendem adquirir habitação própria. Será possível garantir até 15 % do valor da transação, desde que o imóvel não ultrapasse um teto fixado.
Esse mecanismo ajuda quem tem dificuldade em reunir uma entrada significativa.
10. Fim do limite de 2% nos aumentos em novos contratos + facilitação de despejos
Será extinta a regra que limitava aumentos de renda a 2 % para imóveis que já estavam no mercado há tempo.
Novos contratos poderão ver variações maiores.
Também está prevista uma flexibilização nos processos de despejo em casos de incumprimento, para dar mais segurança aos senhorios.
O que essas medidas trazem — e os desafios
Essas mudanças representam uma virada mais ambiciosa em relação ao modelo anterior de “arrendamento acessível”. O foco se desloca para um regime mais amplo, que busca abarcar famílias de renda mais variada, especialmente da classe média.
Porém, algumas críticas e desafios emergem:
Alguns consideram o teto de €2.300 elevado demais para ser considerado “moderado” em cidades como Lisboa e Porto.
As medidas dependem de aprovação parlamentar e podem sofrer alterações no processo legislativo.
A efetividade depende da entrada de imóveis no mercado de arrendamento e da confiança dos proprietários.
O equilíbrio entre incentivo fiscal e proteção social será crucial para evitar que os preços de mercado se desloquem para cima, sem beneficiar os mais vulneráveis.
